sábado, 15 de agosto de 2009

Sentado em frente ao pc? Há 40 anos tinha gente fazendo coisa muito melhor...

“Havia a música. A idéia de rejeitar o resto do mundo e viver de maneira natural. Havia
a cultura das drogas.
A posição contra o governo, especificamente sua política para o Vietnã. E tudo se agrupou naquele momento”
Martin Scorsese

No primeiro ano da faculdade fiz um trabalho, um dos mais marcantes pra mim, sobre o Woodstock. Marcante (não só porque apresentamos o trabalho levemente embriagados, mas) porque o tema, superficialmente já conhecido por todos, foi tornando-se apaixonante à medida que íamos lendo e descobrindo o que realmente foi o Woodstock. E se eu já sou uma amante-da-música-pirada-pelos-anos-sessenta, a sensação de “eu nasci na época errada” só foi aumentando, e minha adoração à tal década acompanhando o ritmo dessa paixão platônica.

Esse meu sentimento chegou a tal nível que, justo no aniversário de 40 anos do evento... fico sem fala e sobra-me apenas melancolia. Melancolia porque sei que nunca vou fazer parte de uma manifestação como foi aquela. Não que eu seja uma pessimista, mas esse foi um evento que não se repetirá. Isso porque os tempos mudaram, a mentalidade das pessoas mudou. Pode até ser saudosismo de minha parte, mas aqueles jovens que se uniram na fazenda Bethel durante três dias, espalhando o movimento da contracultura e lutando contra o establishment, tinham uma noção de comunidade diferente da nossa. Pra eles, comunidade era estar todos juntos em um lugar só, juntos para pregar a volta às raízes e para mostrar ao mundo que eles não precisavam do mundo, precisavam apenas de música, paz e amor.

O casal da foto, que virou ícone do Woodstock, continua junto 40 anos depois


Enquanto isso, nós temos a necessidade de avisar ao mundo, o tempo todo, o que estamos fazendo, o que sentimos e de que precisamos (twitter que o diga!). Nossa noção de comunidade é mais virtual do que real. O fundador do Facebook, Marl Zuckerber, que recentemente fez uma passagem pelo Brasil, é um exemplo claro desse fato, já que ficou milionário devido ao sucesso das redes sociais.

Até houve tentativas de realizar outras edições do Woodstock, mas todas frustradas. Ocorreram várias brigas e o preço dos ingressos era exorbitante, o próprio Santana que participou do primeiro Festival afirmou que o verdadeiro Woodstock só aconteceu em 1969, reiterando a idéia de que o espírito presente na época não existe mais.


PS: Não se engane meu caro leitor, não sou nenhuma revolucionária revoltada que discorda de tudo e quer mudar tudo. Sou apenas uma conformada querendo compartilhar o seu lamento...

2 comentários:

Jackson disse...

Lamentemos todos então!
Um viva ao Amor livre! Uma Ode ao rock'n'roll e as drogas estão por aí...
Curti pra caralho o blog de vocês.

Marina Burity disse...

Comecei a saber mais o que foi mesmo o Woodstock essa semana, com todos os textos dos 40 anos do festival, e conforme eu ia lendo ia aumentando essa melancolia de não ter estado lá. E concordo que nunca mais vai ter nada igual, e fico triste mesmo por fazer parte da geração que valoriza mais o virtual que o real.
Resta-nos somente ficar imaginando a maravilha que deve ter sido estar lá e invejar todos jovens que foram.